Jeliot: IDE para ensino de programação orientada a objetos com Java

Filed Under (Educação, Java, Software) by Antonio Passos on 25-02-2009

Tagged Under : , , , , , ,

JEliotJeliot é uma IDE leve, opensource (licença GPL), voltada para o ensino de programação orientada a objetos com Java. O que faz do Jeliot uma IDE especial é o fato de poder "dar vida" aos programas, ou seja, de animá-los, o que permite que se veja, literalmente, como os programas são interpretados.

Durante a execução dos programas no Jeliot, vemos, como em um teatro,…

  • os objetos sendo construídos;
  • as variáveis sendo declaradas e inicializadas;
  • as expressões sendo avaliadas;
  • os métodos sendo chamados e muito mais

A interface do Jeliot é simples, sendo formada por…

  • Uma área para edição do código-fonte do programa;
  • Uma área onde é exibida a animação do programa;
  • Um painel com botões para controlar a animação do programa;
  • Um console onde são exibidas as saídas do programa;
  • Além, claro, das barras de menus e ferramentas

Jeliot

Se você quiser passar argumentos de linha de comando, clique no menu Option e assinale Ask For Command Line Parameters.

Jeliot

O Jeliot foi escrito em Java, logo é uma IDE multiplaforma que pode ser instalada em qualquer sistema operacional. Ainda assim, existe uma versão Java Web Start que dispensa instalação. Para executá-la, clique no logo do Jeliot abaixo…

 

Em seguida, no diálogo que se abrirá, selecione Abrir com Java(TM) Web Start Launcher e clique em OK.

O Jeliot é aberto em seu desktop. Aproveite para visualizar a animação de um aplicativo. Basta copiar o código-fonte abaixo para a área de edição de código-fonte do Jeliot , clicar no botão Compile e, em seguida, clicar no botão Play

As restrições e limitações do Jeliot são poucas, estando listadas na seção 4 do Jeliot 3 – User Guide. A principal delas, no meu entender, é a exigência de que todas as classes sejam declaradas dentro de um mesmo arquivo. Nenhuma delas, entretando, chega a impedir o uso do Jeliot em cursos introdutórios de programação orientada a objetos.

Este semestre adotei o Jeliot como recurso didático para apoiar o ensino de programação orientada a objetos com Java para os alunos dos primeiros semestres dos cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação da UNIP. De que forma estou utilizando essa ferramenta? Assim: sempre que apresento um conceito novo, como um relacionamento, demonstro-o primeiro no Jeliot  para então passar para sua aplicação em aplicativos construídos em IDEs robustas, como NetBeans ou Eclipse. 

Se você, professor, estiver usando o Jeliot  em suas disciplinas de Java e programação orientada a objetos, compartilhe como vem utilizando-a.

Abaixo, uma vídeo-aula que preparei sobre essa fantástica ferramenta.

Concurso público para professor substituto da UnB. Salário: R$ 383,22!

Filed Under (Educação) by Antonio Passos on 31-01-2009

Tagged Under : , , ,

Isso mesmo. A Universidade de Brasília-UnB, uma das melhores universidades do país, encerrou ontem as inscrições para seleção de professores substitutos para a Faculdade de Medicina. O salário oferecido? R$ 383,22 (trezentos e oitenta e três reais e vinte e dois centavos), menos que o salário-mínimo em vigor a partir de hoje, que passou a ser de R$ 415,00, e que a média paga aos estagiários daquela mesma instituição, que é de R$ 450,00.

Veja o edital:

Edital – Contratação Prof. Substituto – UNB

Mariana Bridi

Não por acaso, portanto, o Brasil e a Malásia encabeçam um ranking de 37 países em número absoluto de mortes por sepse, ou infecção generalizada, causa da morte da bela modelo Mariana Bridi há uma semana.

Estudo recente do Instituto Latino-Americano de Sepse (Ilas), citado em editorial da Folha de S. Paulo de hoje, detectou que menos de 1/3 dos médicos, de um total de 917 entrevistados, pertencentes aos quadros de 21 hospitais públicos e privados do Brasil, está capacitado para fazer o diagnóstico correto de sepse. Dito de outra forma, mais de 70% dos médicos, tanto da rede pública quanto privada, não sabem diagnosticar os sintomas de uma infecção generalizada, que causa milhares de óbitos todos os anos no Brasil.

Neste Google Notas, leia a reportagem e o editorial da Folha sobre a pesquisa do Instituto Latino-Americano de Sepse.

Praça da SoberaniaAlheio a tudo isso, ao que tudo indica, o arquiteto Oscar Niemeyer ainda tem o desaforo de propor e defender a construção da Praça da Soberania e de um obelisco de cem metros de altura em pleno Eixo Monumental. No croqui do seu mais novo projeto, pode-se ver o prédio curvo e o obelisco que abrigariam, respectivamente, o Memorial dos Ex-presidentes e uma mostra permanente do progresso do país. O conjunto, se você não percebeu, lembra uma aeronave aterrissando na capital da República, cuja principal universidade, a UnB, tem o desplante de oferecer a bagatela de R$ 383,22 a um professor universitário.  É demais, não? 

Segundo o Contas Abertas, citado em reportagem da revista Época, esse senhor já recebeu por obras em Brasília, apenas de 1996 pra cá, a quantia de R$ 33000000,00. Difícil ler esse valor? É porque a cifra tem muitos zeros mesmo: R$ 33.000.000,00 (trinta e três milhões de reais)!

Sinceramente? Só ouvindo Capital Inicial…

Ao aluno o que é do aluno

Filed Under (Educação) by Antonio Passos on 08-01-2009

Tagged Under : ,

Li na Folha de S. Paulo de 08/01/2009

"Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta." Raul Pompéia assim inicia o livro O Ateneu, para então prosseguir: "Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico…".

Há tempo afastado, como discente, da vida escolar, pude constatar, como pai, as verdades dessas palavras no fim do ano passado, quando meu filho mais velho quase ficou (ou foi) reprovado.

Por dias, pensei o quanto me caberia de culpa por seu desempenho na escola. Seria possível me atribuir um percentual? 30%, 60%, ou, quem sabe, 100%?

Não, definitivamente 100% seria por demais injusto. Entreguei aos cuidados de uma escola a educação (a que entendida como ensino de determinados contéudos, como matemática, química, física) do meu filho. Logo, a ela caberia, sim, uma parcela de responsabilidade pelo seu desempenho. Se não de toda a responsabilidade. E aos professores? Afinal são eles que lecionam as disciplinas. Se meu filho não soube responder onde o eu lírico usou onomatopéia (conteúdo, convenhamos, de validade duvidosa), caberia indagar: seu professor de literatura conhece didática suficientemente para assumir o ensino da disciplina que leciona? E ao "sistema"? Ah, o sistema! Esse inefável ente a quem culpamos por todos os males.

Hoje li artigo, que reproduzo abaixo, de Rosely Sayão, psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?", publicado no caderno Equilíbrio do jornal Folha de S. Paulo, que questiona as pesquisas que mostram que alunos cujas famílias se envolvem com seus estudos aprendem mais, e afirma que a vida escolar deveria ser uma responsabilidade assumida pelo próprio aluno.

Não estou certo de que ela esteja certa. Mas vale a leitura pelas reflexões que produz.

Segue o artigo.

Na primeira semana de mais um novo ano, a maioria dos pais já se esqueceu dos problemas escolares dos filhos, que lhes renderam tantas preocupações. Vamos considerar: para a classe média, ter filhos na escola privada equivale a trabalho redobrado, muito estresse, gastos de boa parcela do orçamento etc.

Os pais têm se envolvido em demasia com a vida escolar dos filhos. Em parte, devido a pesquisas que mostram que alunos cujas famílias se envolvem com seus estudos aprendem mais.

Vamos nos deter neste ponto porque nada é mais antidemocrático do que tal afirmação. Crianças devem ter as mesmas oportunidades para aprender, independentemente dos costumes familiares. Há pais que têm conhecimento, tempo, paciência etc. para acompanhar os estudos dos filhos. E os que não têm? Para que algumas crianças não fiquem em situação inferior nos estudos, as escolas deveriam ensinar de modo que elas não dependessem de ajuda familiar.

Por falar nisso, o número de pais que levaram o filho a especialistas ou procuraram aulas particulares devido a dificuldades escolares foi enorme. Muitas vezes a própria escola orienta o encaminhamento. Por conta disso, inúmeras crianças foram diagnosticadas como portadoras de dislexia (perturbação da capacidade de ler), discalculia (dificuldade com a matemática), disfasia (má coordenação das palavras) e outras disfunções estranhas. Como se resolvesse algo!

A escola tem colaborado muito para aumentar as preocupações dos pais. Trabalho em grupo, por exemplo, que deve ser feito fora do período de aulas. É um tal de levar e buscar o filho que não tem tamanho, o que exige tempo e trabalho dos pais. Precisa?
A escola também passa aos pais a responsabilidade de resolver a questão das notas baixas, em comportamento e em conteúdo. Ora, esse papel não é da escola junto ao aluno, qualquer que seja sua idade?

O fato é que a vida escolar, com as dificuldades que apresenta, com os desafios que comporta, com as angústias que produz, deveria ser uma responsabilidade assumida pelo próprio aluno. "A escola deveria ser, para a criança, a primeira batalha que ela tem de enfrentar sozinha, sem os pais; deveria estar claro que esse é seu campo de batalha próprio, onde só poderíamos dar-lhe uma ajuda ocasional e irrisória", diz Natalia Ginsburg.

É preciso lembrar que, quanto mais os pais se envolvem com os problemas escolares do filho, menos este os assume como seus, mais os pais se estressam e menos têm paciência no relacionamento com o filho. Por isso, vamos tentar deixar a escola a cargo dos estudantes.

Eles podem resolver sozinhos e a seu modo os problemas, eles merecem a oportunidade de saborear as conquistas e enfrentar os fracassos que experimentarão. Vamos confiar neles e dedicar nosso tempo, paciência, disponibilidade e tudo o mais para construir e manter o eixo afetivo familiar.

Que este seja um bom ano para nossas crianças! E para todos nós.