Comercial da IBM sobre o Linux

Filed Under (GNU/Linux, Vídeos) by Antonio Passos on 01-12-2007

Neste comercial da IBM, o Linux é representado como alguém que aprende de diversas fontes ao longo do tempo. Ele começa com uma voz ao fundo dizendo "Eu acho que você deveria ver isso", ao que uma outra responde "É só um garoto".

Seguem algumas frases do vídeo sobre a importância da comunidade e do compartilhamento de conhecimentos.

  • Um jogador que faz um time grande tem mais valor que um grande jogador.
  • Deixar se levar pelo grupo, para o bem do grupo. Isso é trabalho de equipe.
  • Coletar dados é só o primeiro passo em direção à sabedoria. Mas compartilhar dados é o primeiro passo em direção à comunidade.
  • Amplificação de conhecimento: o que ele aprende, todos nós aprendemos. O que ele sabe todos nós aproveitamos.
  • Isso são negócios. Mais rápidos, melhores, mais baratos. Sempre melhorando.



GNU/Linux: opção para desktop, sim!

Filed Under (GNU/Linux) by Antonio Passos on 27-05-2006

A revista Época desta semana, edição 419, trás a reportagem "De mesa ou portátil?", onde recomenda evitar "os aparelhos baratos que usam o sistema operacional Linux, a menos que você seja um nerd que curta resolver problemas em vez de usar o micro".

Costumo fazer objeções aos argumentos baseados no menor custo dos softwares livres e nas vantagens do acesso aos seus códigos fontes para incentivar sua adoção. Primeiro porque estou convencido de que a migração para GNU/Linux envolve investimentos. No caso de uma empresa, cabe analisar o retorno esperado sobre o investimento, determinar o payback, fazer análise de sensibilidade, estimar os custos e benefícios não quantificáveis, enfim, todas essas coisas do domínio da Finanças consideradas antes de qualquer tomada de  decisão. Segundo porque as vantagens do acesso ao código fonte dos aplicativos podem ser exploradas por poucos, e entre esses poucos não se incluem os simples usuários: eles não possuem conhecimentos para tal, se possuíssem não seriam simples usuários, seriam analistas, desenvolvedores, programadores! E vale dizer, muitos analistas, desenvolvedores, programadores, usuários avançados de software livre, nunca contribuíram com uma linha de código sequer para os aplicativos de código fonte aberto que utilizam; nem nunca os estudaram; aliás, da mesma forma como nunca se interessaram em conhecer ou fazer a manutenção da mecânica de seus carros, a despeito do livre acesso ao que está sob o capô!

Isso não implica concordar com  a recomendação do autor da reportagem. O GNU/Linux está pronto para desktops sim! Sejam corporativos, sejam domésticos! Se a migração de softwares proprietários para softwares livres não acontece de maneira mais rápida, credite-se às questões humanas, como pré-conceitos e paradigmas, em que parecem ter se baseado o autor da reportagem, e não às tecnológicas, como disponibilidade de drivers, disponibilidade de softwares e incompatibilidade com legados, as quais constituem cada vez mais exceções e não a regra.

Infelizmente associou-se software livre com software grátis, com produto "alternativo", hippie, clones grosseiros de softwares proprietários, eternos betas daqueles comercializados em caixinhas, como associou-se os seus usuários a trogloditas tecnológicos que interagem com o computador através de "telinhas pretas", terminais consoles, os quais, conquanto presentes em outros sistemas operacionais, cumprem neles quase que exclusivamente ao propósito de testemunhar sua evolução, mais ou menos como o cóccix nos seres humanos a lembrá-los do rabo que um dia tiveram.

Ignora-se a maturidade das soluções opensource disponíveis, cujas funcionalidades e recursos os tornam superiores aos seus equivalentes proprietários. Tome-se como exemplo o Firefox. Seu mecanismo "tabbed browsing" oferece um modo eficiente de navegar na Internet, permitindo que múltiplas páginas web sejam visualizadas em uma mesma janela, enquanto seu suporte a extensões tornam-o virtualmente capaz de qualquer coisa, de reproduzir áudio em diferentes formatos (FoxyTunes), gerenciar downloads (FireFTP) a validar documentos web (HTML Validator). Por seu turno, a suíte de escritório OpenOffice compacta os documentos ao armazená-los e utiliza o padrão aberto XML, o que reduz o tamanho dos arquivos salvos e assegura sua disponibilidade no futuro, respectivamente.  

Se usuários avançados de GNU/Linux utilizam terminais consoles, deve-se à comodidade e produtividade que estes asseguram em determinadas atividades, como manter usuários, ou à necessidade de economia de recursos exigida por certos ambientes, como servidores. Porém existem interfaces gráficas, como Gnome e KDE, que tornam a experiência de usar o GNU/Linux semelhante a que estão acostumados os usuários de outros SO. Mais, a aparência de tais interfaces podem ser completamente ajustada às preferências dos usuários, tornando a experiência com o GNU/Linux fácil e intimista.

Diferentemente do que afirma a reportagem, devemos sim considerá outras opções de sistemas operacionais além daquele em que, por falta de segurança e robustez, temos que instalar  como primeiros softwares um firewall e um anti-vírus! Ninguém está mais sujeito a surfar na Internet ou ler seus e-mails com medo. Qualquer um pode desfrutar da tranqüilidade que inspiram os desktops rodando GNU/Linux!

Muitos artigos e guias orientam a migração e muitos cases de sucesso podem inspirar uma decisão. Em ambientes domésticos, penso que o melhor é começar devagar,  substituindo os softwares proprietários pelos software livres equivalentes. Um bom começo são aqueles que integram o enxoval de softwares compilados pela equipe do The Open CD. São softwares populares em suas categorias, em versões para o ambiente proprietário que atualmente domina o mercado de PCs. Para ambientes corporativos, sugiro dois guias de migração que auxiliam a tarefa de planejamento: o do governo brasileiro, Guia Livre, e o europeu, o Documentation on Open Source Software (OSS).

E se você já é usuário de software livre, faça a sua parte! Apareça! Aja! Dê exemplos! Só use software proprietário quando não houver similar livre ou onde não puder; compareça a eventos, crie eventos, incentive eventos: no trabalho, na faculdade, no condomínio, na igreja; ajude aquele que queira migrar: convide-o para ir até sua casa ou disponha-se a ir à casa dele ensiná-lo os primeiros passos; doe CDs de seu "sabor" Linux preferido; carregue sempre consigo um LiveCD de alguma distro de visual caprichado (que tal o Kurumim?), para não desperdiçar a oportunidade de apresentar e demonstrar o GNU/Linux para alguém; se você produz documentos, informe no rodapé: produzido com software livre! Tente algo diferente. 

Linux inside!

Linux grátis?

Filed Under (GNU/Linux) by Antonio Passos on 03-02-2006

Não, infelizmente não! Nenhum Linux é grátis. Ou melhor, nenhum Linux sai de graça! Ao optar por um você terá que arcar não somente com um custo direto de aquisição, seu preço, mas também com um custo indireto associado à sua complexidade e a baixa popularidade entre os usuários (que comporão o tal TCO). De fato, a menos que ganhe uma distro Linux, terá que desembolsar alguma quantia para adquiri-la. Se a opção for por uma versão open ou communities, poderá fazê-lo baixando diretamente da Internet suas imagens ISOs ou através de uma loja virtual especializada em produtos opensource, como a Linux Mall. No primeiro caso, serão gastos alguns trocados em ADSL, em CDs e em consumo de energia elétrica e desgaste de hardware para queimar as mídias. Tudo bem, concordo que aqui, somado tudo, será desprezível o que você terá que desembolsar. Mas no segundo, não. Em média as lojas virtuais cobram R$ 10,00 por CD. Ou seja, gastam-se R$ 30,00 para adquirir o Debian (3 Cds), R$ 40,00 para o Fedora (4 Cds) e R$ 50,00 para o SuSE (5 Cds). Se a opção for por uma distro comercial, então prepare o bolso. Para o Freedows Standard serão necessários R$ 120,00; para o Mandriva Conectiva 2006 – Discovery/Lx Desktop, R$ 79,90 e para o Red Hat Enterprise Linux 4.0 WS, R$ 924,07!!! (preços cotados no Linux Mall na data deste post). Note-se que para este último serão necessários mais que o dobro dos R$ 399,00 para o MS Windows XP Home SP2 (preço cotado na FNAC na data deste post). Mas esse custo, o de aquisição, não me parece ser o maior nem o mais significativo que teremos que pagar pelo Linux para rodarmo-o em desktop. De onde vêm, e em grande parte vêm do MS Windows XP, poucas foram às vezes em que os usuários tiveram que assumir um papel diferente daquele de usuários comuns. Quanto o fizeram foi para exercer o papel de operador de periféricos, modificando propriedades de impressora ou vídeo mediante interfaces gráficas, que por sua usabilidade, requeriam mais coordenação motora para dar cliques em componentes gráficos que conhecimento técnico especializado. No limite, se não lhes faltaram um mínimo de auto-estima e segurança, pode ser até mesmo que tenham se aventurado em uma seqüência de Next -> Next -> Next para ao fim e ao cabo gabarem-se de saber instalar aplicativos!!! E aqui entra o custo intangível associado a complexidade do Linux! Mesmo destinado a desktop, ele irá requerer um usuário administrador de sistema. E as tarefas deste, por sua criticidade e complexidade, exigem que sejam assumidas por um super-usuário e não por um usuário comum. Nesse sentido, o termo root deve evocar não apenas níveis de privilégios e acessos, mas também a quantidade e a profundidade dos conhecimentos exigidos de quem assume tal função. De fato, administrar o Linux não é uma tarefa trivial. A despeito da capacidade de reconhecimento de hardware que as distros alcançaram, da facilidade de instalação de aplicativos através de gerenciadores de pacotes e de quão amigável tornaram-se com o surgimento dos ambientes gráficos, como KDE e GNOME, ainda é exigido aqui e acolá que se interaja com esse SO através de linha de comando, que se instale um aplicativo a partir do código-fonte, resolvendo todas as dependências e compilando-o!, e que, amiúde, se configure o ambiente através da edição de arquivos-texto (Ninguém merece!). Por sua vez os aplicativos para desktop Linux ainda são poucos quando comparados aos inúmeros destinados ao SO de onde provêm a maioria dos usuários que migram para ele. E nenhum deles rivaliza com aqueles em popularidade. Como conseqüência os usuários dektop Linux contam com poucos conhecidos com quem possam dirimir suas dúvidas, tendo que recorrer a artigos, tutoriais e fóruns de discussão na Internet, em uma frenética atividade de pequisa, e enfrentam dificuldades em trocar documentos, notadamente textos e planilhas, salvos nos formatos proprietários das novas suites. Logo devemos acrescentar ao custo do Linux para desktop uma baixa produtividade e retrabalho iniciais que inevitavelmente ocorrerão. Não, definitivamente não existem almoços nem Linux de graça. Há um preço a ser pago por sua adoção. Quanto você está disposto a pagar? A troco de quê?