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Um lugar nas nuvens
Filed Under (Clipping) by Antonio Passos on 15-09-2008
Tagged Under : Cloud computing, computação nas nuvens
(Artigo sobre Cloud computing publicado na edição especial Veja Tecnologia, em Setembro/2008)
Cloud em inglês significa nuvem. Cloud computing é o nome que se dá ao crescente fenômeno de estocar dados e rodar programas não no próprio computador, mas em servidores gigantes e remotos acessados pela internet.
Hey! You! Get off of my cloud / Don’t hang around /’cause two’s a crowd / On my cloud, baby é o refrão de uma famosa canção dos Rolling Stones, que diz que só cabe um na nuvem, dois já formam uma multidão. Na nuvem digital se passa justamente o contrário, sempre cabe mais um. A cloud computing marca a chegada à internet do mesmo sistema integrado de distribuição elétrica em que alguém acende a luz da sala e não lhe passa pela cabeça se perguntar onde aqueles quilowatts foram gerados. Essa nova e, parece, definitiva fronteira da internet consiste em o usuário deixar que computadores localizados a milhares de quilômetros de distância realizem todo o trabalho de processamento e armazenamento de informações que antes era feito pelo seu computador doméstico. Muitos serviços desse tipo já estão disponíveis. Um site oferece um processador de textos com todos os sinais gráficos de mais de vinte idiomas. Outros, como o famoso Gmail, são provedores de todas as necessidades de mensagens eletrônicas, tudo via internet, sem necessidade de baixar ou instalar programas. "A rede, enfim, virou o computador", disse a VEJA Nicholas Carr, autor de A Grande Mudança, Reconectando o Mundo de Thomas Edison ao Google (Editora Landscape).
A internet é representada por alguns técnicos como uma nuvem. A comparação é resultado de sua estrutura maleável, com um centro indefinido e contornos em constante mutação. Por isso, o uso da web como um computador foi batizado de cloud computing (computação na nuvem). Na prática, o modelo é conhecido. Ele move as engrenagens do Google. A cada busca, o site faz uma varredura em mais de 40 bilhões de páginas da internet. Selecionadas, as informações são devolvidas à tela do computador do usuário sob a forma de uma lista com milhares de links. O computador pessoal (PC) faz muito pouco nesse processo. Ele é apenas a porta de acesso à nuvem. A mesma lógica operacional aplica-se a endereços virtuais como o Yahoo!, o eBay, a loja on-line Amazon, o Orkut e o YouTube.
A novidade é que esses serviços oferecidos remotamente têm se diversificado com rapidez. Nicholas Carr, o ex-editor da revista Harvard Business Review, descreve essa evolução: "A nuvem expande-se para novos tipos de software. Hoje, a edição de fotografias pode ser feita pela internet, sem a necessidade de comprar um programa específico para essa tarefa. Armazenar dados na web, em vez de usar o disco rígido do computador, é outra atividade que vem se tornando comum". Para muitas empresas, principalmente pequenas e médias, a cloud computing representa uma oportunidade. Usar a internet como um computador – ou um superarquivo – elimina a necessidade de pesados investimentos em infra-estrutura de tecnologia, o que inclui o maquinário, back-ups (as cópias de segurança) e atualizações permanentes de softwares.
A Amazon explora o filão de negócios da nuvem. A loja virtual aluga espaço em sua rede de computadores. Cobra 15 centavos de dólar para cada gigabyte armazenado e 10 centavos de dólar pelo mesmo volume de informação, quando transferido. O jornal The New York Times usou esse serviço para colocar na web 15 milhões de artigos, publicados entre 1851 e 1922. A Nasdaq, a bolsa de empresas de tecnologia, também se valeu da estrutura computacional da Amazon para criar o Market Replay, uma ferramenta que analisa e fornece o histórico de milhares de ações.
A segurança na nuvem desperta debates, mas é um item sensível para alguns setores, como o sistema bancário. No mais, os arquivos pessoais – ou mesmo os dados corporativos – correm menor risco quando depositados nos serviços e softwares da internet do que no disco rígido de um PC. Isso acontece porque as principais empresas da web protegem os documentos com grandes times de especialistas e também com sistemas atualizados de combate a vírus. Os back-ups também são recorrentes. "Poucas pessoas, ou mesmo pequenas e médias companhias, tomam esse tipo de cuidado com seus computadores", diz Cezar Taurion, gerente de novas tecnologias da IBM do Brasil.
Um dos aspectos mais espetaculares da cloud computing é a infra-estrutura que a sustenta. Ela é formada por imensos parques computacionais, que reúnem milhares de computadores num só ambiente. São os data centers – as usinas da nuvem –, que, em vez de levar energia a uma cidade, fornecem processamento e armazenamento de informações para todo o planeta. "É nesses lugares que a internet vive", disse a VEJA Michael Manos, responsável por esses sistemas na Microsoft. Esses centros de dados representam para o mundo digital no início do século XXI o que a indústria têxtil significou para a Revolução Industrial no século XVIII. Somados, apenas os maiores data centers do planeta ocupariam uma área de 2,3 milhões de metros quadrados, o equivalente a 278 campos de futebol colocados lado a lado. Em 2012, estima-se que essa extensão alcance 3 milhões de metros quadrados (363 campos). Os principais centros de dados são mantidos por empresas como Google, Yahoo!, Amazon, Microsoft, IBM e HP. No Brasil, a Tivit, do Grupo Votorantim, e a multinacional Diveo têm grandes parques de computadores.
Nas usinas da nuvem, milhares de servidores (máquinas pouco mais potentes que um PC) são empilhados em prateleiras de metal, dispostas em longos corredores. O cenário é de uma plantação de computadores, mas com a assepsia de um centro cirúrgico. Não pode haver acúmulo de pó e a temperatura tem de ser mantida em 21 graus, com variação de 2 graus. Sem isso, os computadores superaquecem – e pifam. Para esfriar o ambiente, os data centers produzem água gelada em profusão, distribuída por pequenos canos pelo ambiente. Não se ouvem ruídos. O único movimento perceptível é o piscar de luzinhas, indicando que as conexões com a web estão ativas. Há pouquíssimas pessoas.
Tudo é crítico. Não pode haver falha na energia nem interrupção no serviço de banda larga. Os projetos mais avançados têm de garantir o suprimento de eletricidade em 99,999% de um ano. Ou seja, a tolerância anual com apagões é de 5,2 minutos. A ligação com a internet precisa ser mantida durante 99,99% do ano. Isso quer dizer que a soma dos lapsos não pode ultrapassar 52 minutos. Para assegurarem esse nível operacional, os centros de dados usam sistemas redundantes. A energia vem de mais de uma fonte externa. Paralelamente, é garantida por geradores de reserva e baterias. Com todas essas exigências, um dos desafios dessa indústria é pagar a conta de luz. Estudo feito pelo Departamento de Energia do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos Estados Unidos, estima que o gasto de um data center com energia por metro quadrado é trinta vezes superior ao de um escritório comercial.
Não é nova a idéia de a internet funcionar como uma grande máquina. Essa possibilidade é sugerida desde os anos 80. "A rede é o computador", era o slogan da Sun Microsystems, criado em 1982 por John Gage, um dos fundadores da empresa. Em 2000, Larry Ellison, da Oracle, fundou a New Internet Computer (NIC). Tinha como lema "um monitor, um teclado e um supercomputador distante". É isso que oferecem os principais serviços de cloud computing. Ellison enxergou longe. Viu para onde a bola iria correr, mas chegou muito antes do passe. A NIC faliu em 2003. Hoje, o que torna a computação na nuvem viável é a expansão da banda larga, somada a softwares que organizam de forma eficaz toneladas de informações nos data centers.
O impacto da computação na nuvem é incipiente. Mas o sistema, apesar de estar longe da perfeição, tem facilitado o surgimento de pequenas empresas de tecnologia, que não precisam investir num maquinário dispendioso. Elas o alugam. Sites como YouTube, Skype e Craiglist surgiram nessa toada. Um exemplo recente é o Mogulus, que reproduz vídeos ao vivo na web. No mais, há especulações. Cogita-se, por exemplo, do fim do software vendido em pacotes, como o Office, da Microsoft. Eles seriam suplantados pelos programas oferecidos gratuitamente na web. Nicholas Carr retoma a comparação com a eletricidade para fazer suas previsões: "A eletrificação acelerou a expansão da cultura de massas, dando às pessoas experiências comuns por meio do rádio e da TV. A internet, que está se tornando um computador universal, desencadeia um conjunto de forças diferentes e promete remodelar a cultura mais uma vez". Como? Isso ninguém responde satisfatoriamente – ainda.
Programas na rede
Vários programas já estão disponíveis na nuvem de computadores, que pode estar a milhares de quilômetros do usuário. Não é preciso baixar ou gravar os softwares.
O Google Calendar é uma agenda para marcar compromissos e compartilhar eventos. Pode ser usada no celular. O Google Docs tem editor de texto, planilhas e um programa para apresentações. Com o Google Notas, é possível guardar informações da web, como se fossem recortes de jornais e revistas.
YouSendit
Serviço de envio e recebimento de arquivos. É um substituto para anexos pesados. Evita o uso de programas com FTP. Gratuito até 2 GB.
Microsoft
Tem vários programas na web associados ao Windows Live. O Writer é uma espécie de molde para a publicação de blogs na web. O SkyDrive é um espaço para armazenamento de arquivos, que pode ser compartilhado pela web.
FotoFlexer e Pixer.us
São editores de fotos. Basta enviar a imagem para o site e usar os recursos de aperfeiçoamento de imagens. O FotoFlexer funciona de modo integrado com álbuns do Picasa, Facebook, MySpace e Flickr.



muintu boummm
Um execelente artigo sobre essa tecnologia que promete revolucionar a computação no mundo. O cloud computing só nos tem a acrescentar… muintu boummm [2]